Por Helen Almeida

   Sobre a Solidão, o Vazio e a Incomunicabilidade



          Com a  câmera fixa, o enquadramento em profundidade  de Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência remete a um quadro de Edward Hopper. O silêncio, os ambientes cinzas, sem cor.  As histórias se sucedem em recortes, sem maiores explicações. Seus personagens parecem estar limitados por barreiras invisíveis, não conseguem expressar a dor que deveras sentem, e não seriam entendidos.

          A narrativa do filme se dá nos detalhes. Os personagens são rígidos fisicamente, quase não se movem e parecem declamar um texto ensaiado e esvaziado. Os vendedores de produtos de entretenimento estão imersos em profunda tristeza. A risada gravada que vendem soa sem sentido, com um peso, e se evanesce no vazio. Ou pode ser inacessível a alegria, como o guarda que observa através do vidro o restaurante que não pode entrar por um mal-entendido na reserva.

          É também sobre a vida que segue contínua e os dias que se confundem. O afastamento do observador faz com que ele se torne o pombo do título. É a existência absurda que damos prosseguimento sem saber bem o motivo é o que retrata o filme. Talvez aceita-se que tudo está bem para não enxergar o quão mal as coisas estão.

Nighthawks - Edward Hopper


Imagens via Pinterest




O papel e função da crítica frente à arte contemporânea

       Na arte contemporânea a aparência e o conteúdo se distanciam devido a diluição de fronteiras, desmaterialização e o conceito criado em torno da obra que exige interpretações que variam de acordo com a experiência de cada pessoa. Tal distanciamento deixou colocou o público em um cenário de desorientação frente à produção de arte contemporânea, deixando-o perdido facilmente por não sabe reconhecer uma proposta artística indagando muitas vezes "isso é arte?" e é nessa conjuntura que se faz necessário um estudioso no ramo da arte como o Crítico.

       O público que está sempre sendo exposto a produções totalmente diferentes com propostas sempre novas, precisa se situar, e o crítico será seu porta-voz e guia. Um dos seus desafios é reconhecer em meio a inúmeras produções a existência de um valor artístico através do seu exercício de análise, discernimento, separação e avaliação das obras. Seu trabalho se torna ainda mais difícil na contemporaneidade, pois ele não tem um modelo em que se apoiar como tinham antes os da academia.

       O ato crítico envolve aprender a olhar, segundo Jacques Lenhardt,  filósofo, crítico e diretor de estudos na École des Hautes Études en Sciences  Sociales, pois a análise de uma imagem incita a sensibilidade e pode ser desenvolvido por todos. O Crítico de arte pode ser considerado um professor que vai indicar pontos em uma obra, mas que não deve ser levado somente em conta, ele indicará o caminho para o público desenvolver o seu senso acerca da arte, para posteriormente formar um juízo de valor para a produção. 

        A noção temporal na arte contemporânea também se diluiu, pois ela está sempre em um fluxo transitório fazendo com que suas formas de expressões estejam sempre sendo renovadas. Tal fato faz com que o espectador muitas vezes não capte o sentido e a proposta no momento da produção, que se faz importante por estar inserida em um contexto  influenciado pelo meio em que foi criado, mas que se não for percebido pode sofrer ressignificações com o tempo. O crítico deve se ocupar, então, em ser intermediário entre o artista e o público, e a crítica com a função de interpretação e reflexão para a compreensão do fenômeno artístico no momento de sua produção. 

Por Bárbara Evellyn

Imagem via 2day



Por Helen Almeida

Filme de Wolfgang Becker, 2003

        No ano em que o cosmonauta do leste alemão Sigmund Jähn alcançou o céu, o marido de Christiane Kerner foge para o lado capitalista do Muro, a deixando com os dois filhos. O choque inicial e a pressão dos investigadores do regime a fragiliza a ponto de leva-la para uma casa de repouso. Quando recebe alta, passa a conduzir sua vida de maneira diferente. Entrega-se por inteiro as atividades do partido, lutando contra as pequenas injustiças do cotidiano. Em seu vestuário transparece sua ânsia por organização e ordem.

Já crescidos, os filhos não mais se identificam com o idealismo da mãe em meio a uma sociedade em vias de transformação. Alexander, o mais novo, descontente com a situação, mesmo sem muito entusiasmo e engajamento, é levado a participar, no ano do quadragésimo aniversário da República Democrática Alemã, da manifestação de 7 de outubro, contra as fronteiras e pela liberdade de imprensa. É nela que conhece Lara. Na confusão com a polícia, Christiane, voltando de um evento oficial, reconhece o filho. Não suporta e tem um ataque cardíaco.



Sentindo-se culpado pelo que aconteceu com a mãe, Alex tenta manter-se próximo a ela, falar sobre a vida, assim como tinha feito dez anos antes, na época do sumiço de pai. Durante a longa permanência no hospital que Lara, a moça que vira durante a manifestação, era uma das enfermeiras. Entre plantões e horas livres, os dois começam um envolvimento.

Nos oito meses em que estava em coma, o mundo de Christiane se desfaz no ar. O Muro deixa de existir, não havia mais a Alemanha comunista. O modo de vida estava em transformação, que se refletia nas novas roupas, nas novas marcas nos mercados, no comportamento das pessoas. A mudança também atingiu os irmãos Kerner. Ariane, que já era mãe da pequena Paula, deixa a faculdade de economia para trabalhar em uma lanchonete do Burguer King com seu novo namorado. A loja de conserto de televisores em que Alex trabalhava fecha, e ele encontra emprego como instalador de TV à cabo, onde conhece Denis Domanschke, seu colega.



        Por recomendação médica, depois de recuperar a consciência, Chistiane não deve passar por abalo emocional. A partir daí o afeto e atenção de Alex pela mãe é somado a um senso de responsabilidade. Reconstrói, com o amigo Denis, a RDA dentro do quarto dela. O comportamento dos dois filhos é quase oposto. Ariane aparece distanciada, não concorda com a atitude do irmão.

Enquanto se recupera, mais complicado torna-se manter o mundo cênico criado por Alex. O vento dos novos dias é mais forte. Alexander construiu sua mentira pela vontade de proteger, por preocupação. Antes de conta-la a mãe, é ela quem revela uma outra verdade encoberta. Não foi com uma amante que o pai deles havia fugido. Por não participar do partido, Robert Kerner passava por uma situação muito complicada. Com a oportunidade de viajar com um congresso, foi para o Oeste. A esposa deveria ir com os filhos, mas faltou coragem. Depois, veio o arrependimento que escondia sob a máscara de dedicação ao regime.

Morre dias depois de um reencontro com o marido, planejado pelo filho. Para Alex, nunca soube ela a verdade a respeito da unificação. Lara, não concordando em enganá-la, já havia lhe contado. Esse então é o segredo que Lara, por sua vez, irá guardar, tal como os outros dois haviam feito, e pelo mesmo motivo.



Imagens via Pinterest




Dos relatos das experiências vividas pelo xamã yanomami Dani Kopenawa nasceu o livro "A queda do céu", nome que serviu de referência para a exposição idealizada pelo curador Moacir dos Anjos. A exposição articula obras de diversos artistas que se utilizaram de diferentes meios para tratar a questão indígena, que muitas vezes é negligenciada pela sociedade.

Com obras que expressam a luta e o sofrimento dos povos yanomami e de outras etnias, o espaço que abriga a exposição, também abriga um alerta para todos que vivem na Terra. O desmatamento, a contaminação dos solos e rios, a poluição, antes mesmo de afetar diversas tribos, será consequência premeditada para todos. O xamã é como um organizador do caos, a sua morte junto ao extermínio de sua tribo, impediria-o de avocar os espíritos que nele habitam para poder conter tal transtorno. Tal fato na mitologia yanomami causaria fraturas no céu, que estando enfraquecido desabaria, marcando o fim de todas as formas de vida. 

A primeira obra logo no começo da exposição não foi feita diretamente por um artista, mas sim pelos próprios índios, que retrataram pela primeira vez seu cotidiano na aldeia, tudo de um ângulo superior, como se fosse a visão dos espíritos dos xamãs. Enaltecendo a importância do olhar através do outro, principalmente daqueles que não estamos habituados em nosso olhar. 



Os artistas não encontraram limites nos meios de suas produções artísticas, fizeram uso de vídeo e fotografia, como também fizeram instalações para passar o sofrimento que índios foram submetidos. Além de tratar dessa questão, a exposição seria a articulação de diferentes trabalhos com o objetivo de aproximar o público da realidade desses povos. A despossessão de terras; a introdução de doenças devastadores; a destituição dos seus meios de sobrevivência; a incalculável morte dessa população, "A queda do Céu" coloca em ênfase que mais o que um problema da população indígena, esse é um problema nosso. 

A exposição está sendo realizada no Paço das Artes, a abertura foi dia 10/04 e vai até o dia 05/07. A entrada é gratuita. 

A segunda foto foi retirada da pagina do Paço das Artes no facebook, do dia em que visitei a exposição. 



Foto via Sesc
O post não será especificamente uma descrição do Método Abramović, e sim um relato da minha experiência nele, as sensações que me foram proporcionadas. Mas você pode saber mais sobre a Marina Abramović, o Método, e a exposição dela aqui.

Ao participar do Método Abramović, no começo fui imensa em uma dimensão de ansiedade, medo, pânico e angústia, vindos do meu interior do acúmulo excessivo do estresse da rotina cotidiana que vivemos no mundo contemporâneo. No começo de cada sessão fiquei muito inquieta, mas ao passar os minutos, meu corpo e mente, como em uma fusão metafórica, faziam parte da madeira e cristais envolvidos. Ao término das sessões minha percepção da realidade estava totalmente diferente, passei a sentir a passagem do tempo de outra maneira. 

São raros os momentos que paramos para perceber que por vezes vivemos como máquinas. Vivemos na correria de cumprir tarefas, chegar no horário. Vivemos estipulados por prazos. Esquecemos como somos seres sensíveis, e a apreciar o instante. Como é difícil pararmos para contemplar uma obra de arte, queremos engolir o museu inteiro de uma só vez. 

Uma das propostas do Método Abramović é a reflexão da percepção do tempo. Sem relógio, celular ou qualquer eletrônico, ficamos perdidos do senso temporal. Nas sessões que parecem que vão ser demoradas, acabam sendo muito rápidas. É um desapego do tempo marcado pelo relógio. Alguns momentos de nossa vida passam mais depressas que outros, e os ponteiros andam iguais para ambos. O tempo de um beijo, não é o mesmo de uma fila de banco. 

Como em um quarto escuro, estava sozinha, longe do barulho da cidade, da correria, do tumulto, não tinha como fugir de estar comigo mesma, então experimentei uma nova conexão pessoal durante o tempo que passei no Método, porém essa experiência não ficou somente lá. Tudo o que eu passei lá, como em um autoconhecimento, pude absorver o máximo que consegui. 
No final aquela ansiedade e inquietação se transformaram em calma, serenidade e nirvana. 


Algumas fotos que tirei da exposição MAI

A foto utilizada no começo do texto pertence ao Sesc. Todos os direitos reservados. 


Sempre que estou no facebook geralmente fico vendo ilustrações de páginas de artistas que sigo. Nas minhas últimas "descobertas" por lá me deparei com um ilustrador muito bom. Seu nome é Lucas Oliveira. Vou falar um pouco sobre esse artista e a sua arte. 

Lucas Oliveira mora no Rio de Janeiro, cursa design gráfico e tem apenas 20 anos. Sua personalidade demonstra ser calmo e paciente com as coisas, pelo menos é assim que se descreve na maioria das vezes. O ato de desenhar está em sua vida desde quando era pequeno, mas somente há pouco tempo deixou de ser um hobby para ser seu trabalho.
Lucas além de desenhista é fotógrafo. Desenhar, fotografar, viajar, estar com os amigos e familiares são as coisas que ele mais gosta de fazer. O amor é uma de suas maiores motivações, na qual sem, não há uma fluência e verdade no que se faz.
Sua inspiração está em olhar o céu, uma atividade que gosta muito de fazer, pois para ele o faz pensar em como o criador fez tudo perfeito. Na sua opinião, arte é a forma que você recebe e interpreta as coisas, e que cada um tem sua forma de ver e se expressar.
Em maioria de representação masculina, suas ilustrações são muito expressivas, de certa forma acredito que seja uma projeção do que Lucas está sentindo no momento em que faz cada desenho. 
Entre os muitos projetos que está participando, está em andamento uma collab que está fazendo com a Malena Flores, que em breve irá postar. 





Você pode acompanhar o trabalho do Lucas no Facebook e no Instagram. E pode acompanhar também as atualizações na página do facebook Inverno Amargo.


Duas razões se abstraem em um sentimento
O tempo congela

Dois corpos se expressam timidamente
o tempo congela

eram dois
tornam-se um 
estão pulsando 
o tempo assim corre
corpo e alma escorrem
ele não pára
o tempo continua

dentro um do outro
se escondiam
pois passava veloz
aquele que todos temiam
o tempo
em uma unificação
corpo e alma entrelaçados
iam escorrendo

eram um
voltam a ser dois
mas continuam a pulsar
cada um do seu lado 
aquilo que escorreu
desentrelaçando 
pelo tempo que correu

talvez se encontrem
se entrelacem
e tudo volte a pulsar
pois o destino é único
todos conhecem
o tempo congela
o tempo congela

— Bárbara Evellyn



Há uns tempos passei a me interessar mais por arte fazendo com que eu pesquisasse mais sobre esse mundo, foi quando descobri grandes artistas contemporâneos que hoje me inspiram muito. Um deles é Voka, na qual vou compartilhá-lo sobre sua arte aqui. 

Voka é um artista austríaco que nasceu em 1965, hoje vive e trabalha na cidade Puchberg am Schneeberd. Desenvolveu seu próprio estilo artístico após um certo desconforto com o realismo, por usar tinta a óleo, achava que suas obras demoravam muito para ficarem prontas. A partir disso passou a pesquisar as técnicas dos antigos mestres e a utilizar das suas obras como próprio estudo. Após contato com a aquarela e ter conhecido a tinta acrílica, conseguiu juntar várias técnicas para desenvolver o seu próprio estilo artístico, o realismo espontâneo. 
Voka ao desenvolver seu estilo queria se expressar de maneira simples, transmitindo emoção, imediatismo, vigor e entusiamo. Seu estilo lembra o impressionismo, pinceladas rápidas na tela, com a dinâmica do tempo permitindo-lhe capturar a realidade imediata. Suas inspirações estão nos acontecimentos diários de uma vida, o cotidiano. 
Ele tem sua própria galeria localizada em Puchberg, mas já participou de mais de 16 exposições, como a Bienal da Áustria. 
As cores utilizadas na composição das obras de Voka despertam em mim uma energia, uma sensação de vitalidade. É muito importante quando uma obra de arte desperta algo em você, tanto um questionamento ou sensação, ela deve se certa forma dialogar. 



Há também vídeos na qual mostra o processo de pintura das telas:

Você pode conhecer mais do trabalho do artista em seu site

Observações: Preciso pedir desculpas pela demora para postar no blog. Comecei a faculdade e ainda estou me adaptando à rotina. Obrigado pela compreensão. 


Essa semana eu me dediquei bastante ao desenho, após ler um livro consegui controlar meu bloqueio criativo, resultando em quatro expressões diferentes no papel. 

Aquarela sobre canson

A flor. Tinta a óleo sobre canson

                                         Lápis de cor sobre papel sulfite
Ilustração feita para o conto de um amigo intitulado O aquário do oceano. Caneta marcador, pastel seco, aquarela e lápis de cor sobre canson. Versão com efeito.


Versão original

Todos os desenhos também estão no Instagram


Estou abrindo uma sessão aqui no blog chamada "Escritos" e nela vou em geral postar poemas/poesias/contos etc que eu mais gostei de cada escritor. Para começar escolhi o poeta Mário Quintana, porque tenho um livro dele aqui em casa e me identifiquei muito com o livro inteiro, mas escolhi apenas 5 poesias/poemas para postar aqui.


A rua dos cataventos

SONETO XIX
Minha morte nasceu quando eu nasci.
Despertou, balbuciou, cresceu comigo...
E dançamos de roda ao luar amigo
Na pequenina rua em que vivi.

Já não tem mais aquele jeito antigo
De rir e que, ai de mim, também perdi
Mas inda agora a estou sentindo aqui,
Grave e boa, a escutar o que lhe digo:

Tu que és a minha doce Prometida,
Nem sei quando serão as nossas bodas,
Se hoje mesmo... ou no fim de longa vida...

E as horas lá se vão, loucas ou tristes...
Mas é tão bom, em meio às horas todas,
Pensar em ti... saber que tu existes!

Canção de vidro

E nada vibrou...
Não se ouviu nada...
Nada...

Mas o cristal nunca mais deu o mesmo som.

Cala, amigo...
Cuidado, amiga...
Uma palavra só
Pode tudo perder para sempre...

E é tão puro o silêncio agora!

Data e dedicatória

Teus poemas, não os dates nunca...  Um poema 
Não pertence ao Tempo... Em seu país estranho, 
Se existe hora, é sempre a hora estrema 
Quando o anjo Azrael nos estende ao sedento 
Lábio o cálice inextinguível... 
Um poema é de sempre, Poeta: 
O que tu fazes hoje é o mesmo poema 
Que fizeste em menino, 
É o mesmo que, 
Depois que tu te fores, 
Alguém lerá baixinho e comovidamente, 
A vivê-lo de novo... 
A esse alguém, 
Que talvez ainda nem tenha nascido, 
Dedica, pois, os teus poemas. 
Não os dates, porém: 
As almas não entendem disso...

Canção de Domingo

Que dança que não se dança?
Que trança não se destrança?
O grito que voou mais alto
Foi um grito de criança.

Que canto que não se canta?
Que reza que não se diz?
Quem ganhou maior esmola
Foi o Mendigo Aprendiz.

O céu estava na rua?
A rua estava no céu?
Mas o olhar mais azul
Foi só ela quem me deu!

Inscrição para uma lareira

A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

Fotos via We Heart It


A Pinacoteca de São Paulo nunca esteve tão cheia até a exposição de Ron Mueck. Após ter feito sucesso em quase o mundo todo em países como Japão, Austrália, Nova Zelândia, México, Buenos Aires, a mostra veio ao Brasil. Saiba mais sobre Ron Mueck e a exposição que muitos tiveram o prazer de visitar. 

O artista

Ron Mueck é um talentoso artista australiano que produz esculturas hiper-realistas. Ele cresceu vendo seu pai produzir bonecos de madeira e sua mãe bonecas de pano, mas é provavel que seu  talento venha de uma atenção especial que dá à observação das pessoas ao seu redor. 
Ron é autodidata, nunca frequentou uma escola de arte. Começou sua carreira fazendo bonecos para filmes, propagandas e programas de televisão, como a série The Muppet Show. Até com dublagem ele já trabalhou, pois é dele a voz do monstro Ludo, personagem do filme Labirinto (1986). 

As obras

Suas obras no geral são feitas com resina, fibra de vidro, silicone e argila, mas Ron Mueck sempre está experimentando novos materiais. Ele trabalha em seu ateliê sozinho e em silêncio, cada escultura demora cerca de 6 meses ou mais. Quando muito grandes, recebe ajuda de assistente. Segundo a curadora Grazia Quaroni, suas esculturas não são um retrato e nem contam uma história, mas que é algo que nos lembra um passado muito distante, sendo algo que toca por dentro qualquer ser humano. E que você pode imaginar uma história para cada escultura, de acordo com a sua experiência de vida. 

A exposição 

Após exposição no Museu de Arte do Rio de Janeiro, as obras de Ron Mueck vieram para a Pinacoteca de São Paulo, ficando em cartaz de 20 de Novembro de 2014 a 22 de Fevereiro 2015. Foram 9 esculturas expostas. As filas eram quilométricas, mas todo o esforço era compensado com o mundo artístico que Ron Mueck nos concebia em meio as suas esculturas hiper-realistas. 
Fui essa semana na exposição com a minha amiga Gabriela e adoramos. Cada escultura tem uma emoção única, parecem que querem gritar algo apenas com o silêncio, e dizer muita coisa, mas a interpretação é única de cada pessoa.  
Máscara II, 2002. Essa obra é um auto-retrato de Ron Mueck 
A deriva, 2009
Young couple, 2013
Mulher com compras, 2013
Natureza Morta, 2013
Mulher com galhos, 2008
Casal sob um guarda-chuva, 2013. Essa obra foi feita especialmente para a exposição no Brasil 


Todas as fotos que tirei da exposição podem ser conferidas aqui


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